
Ultimamente tenho pensado muito sobre o amadurecimento humano. Em quanto precisamos ser guiados por ensinamentos que, às vezes, custam nossa insatisfação e por alguns momentos, são capazes de nos entristecer. Amadurecer é processo duro de lapidação. É crueza de vida. É aprendizagem cotidiana de quem não se descuida de suas inquietações.
Por diversas vezes, senti na pele a crueza de ver-me a frente de quem eu era e quem eu queria ser. Eu estava ali, incompleto e cheio de dúvidas. E à minha frente, alguém que eu desejava ser... Bem resolvido e com entendimentos que satisfaziam as questões da minha existência. Sentia-me amarrado, como se só o tempo fosse capaz de me retirar dessa situação desconcertante. Eu desejava ter respostas prontas que eu não sabia onde procurar. Não sabia nem mesmo se elas existiam. As dúvidas tumultuavam meus pensamentos e eu não sabia como respondê-las.
Foi aí que um dia, ouvi alguém dizer , que quando precisamos tomar uma decisão e não a tomamos, isso já é uma decisão tomada, mesmo que não façamos nada. Na mesma hora, imaginei que essa fosse a resposta para alguém acomodado... Para alguém acostumado a assistir o espetáculo de braços cruzados. E este não era o meu caso. Imaginei que essa resposta não fosse para as minhas questões. Mas com o passar do tempo, vi essa frase fazer sentido quando me desprendi do egoísmo que eu havia criado para mim mesmo. Pensava ser capaz de resolver todas as minhas inadequações sozinho, e a medida em que eu precisava amadurecer, isso não era mais possível.
O tempo foi passando, e conheci muita gente. Gente que serviu de exemplo, gente capaz de me mostrar alguns caminhos, gente que precisou me repreender e gente que revelava aos poucos as respostas de que eu tanto precisava. Estas pessoas nunca me disseram que seria fácil o aprendizado. E por diversas vezes, me deixaram apenas com o meu silêncio e minha vontade de desistir. Era a dureza da pedra a ser lapidada. Minhas mãos ainda eram suaves e precisavam ser calejadas... Só quem já pode sentir a experiência de um trabalho árduo sabe o quanto isso dói. Pude perceber então, devagarzinho, que nenhum aprendizado se dá na instantaneidade de nossas urgências. Mesmo quando nos sentimos sufocados pela cobrança incessante do nosso amadurecimento. Amadurecer requer tempo e cuidados.
Com o tempo, fui descobrindo a preciosidade que se revelava em cada busca. Era o brilho da jóia sendo despido de seus excessos, da dureza que a protegia. A descoberta que eu fazia era surpreendente. Fui me despindo das cobranças exageradas que eu fazia em busca de respostas... Era preciso correr o risco de descobrir o quanto o silêncio é capaz de deixar cicatrizes. Eu não aprendi a me acomodar, e nem quero isso, mas percebi que o tempo do amadurecimento depende das esperas que impacientemente eu fazia.
Ainda estou sendo lapidado. São esperas constantes. Inúmeras perguntas sem respostas, e respostas que talvez eu nunca as tenha. E são essas as circunstâncias que me levam ao amadurecimento. Amadurecer talvez seja isto... Não ter a certeza da resposta pronta, mas encontrar sentido na beleza da jóia que está por ser revelada. E enquanto somos talhados impiedosamente por nossas inquietações, Deus dá formas à um coração que constantemente precisa ser lapidado.
(Gentil Buratti Neto)
LINDOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!! Sua poesia me encanta!!! Me vejo refletida em cada frase sua... Continue assim, com essa sensibilidade que é dom de poucos. Beijo, Larissa - Lajeado - RS
ResponderExcluirObrigado Larissa! A poesia sempre é bela, desde que a olhemos com bons olhos.
ExcluirUma dica: Que tal começar escrever algumas também?
Abraços, gent!l